Caso New Hit: A justiça tarda, mas as mulheres não
Foi com muita tristeza que acompanhamos no dia 20 de fevereiro de 2013 o desfecho provisório do julgamento dos integrantes da banda New Hit e do policial militar, envolvidos no estupro de duas garotas em 26 de agosto de 2012.
É verdade que baseado em resultados anteriores, sempre é grande a probabilidade de injustiça ser feita, ainda mais por se tratar de uma banda em ascensão e que tem dinheiro para bancar os advogados certos. Apesar disso, não contávamos com o adiamento do depoimento dos acusados para os dias 3, 4 e 5 de setembro, mais de um ano após o crime. Por que tanta lentidão?
Durante o julgamento, a Marcha Mundial das Mulheres e outros coletivos reuniram-se em frente ao tribunal para protestar contra o caso e pedir por justiça, fazendo a pressão social que é tão necessária para que haja mudanças.
Nesse guest post da Lola é possível saber mais sobre o protesto na cidade de Ruy Barbosa, Bahia. Trecho do texto:
“Outro momento forte aconteceu depois da cena sobre estupro que fizemos em frente ao fórum. Foi quando uma fã do New Hit entrou em nossa ciranda. A amiga dela falou “Oxe! Sai dai!”, e ela respondeu “Eu não. Vou ficar aqui com as meninas.” O riso tomou conta. Cada mulher que conquistávamos era uma vitória. E todo dia a roda crescia. ”
No dia 22 de fevereiro a banda já havia marcado uma apresentação em Nossa Senhora do Socorro (SE). Protestos foram feitos no local de ensaio da banda e o show foi cancelado (print da imagem).
O empresário da banda chegou a fazer a seguinte declaração: ”o que era ruim, virou coisa boa. Estamos saindo da Bahia e ficando conhecido no Brasil.”. Esperamos que ele responda por isso, no mínimo para deixar de ser trouxa.
Cada show marcado pede nossa participação na tentativa de cancelá-lo. Vamos continuar pressionando e não vamos esquecer o caso.
É emocionante ver essas mulheres unidas contra a violência que nos afeta. Parabéns às participantes, nossa admiração e avante!
E (finalmente) chega o dia do julgamento da banda New Hit
Hoje inicia-se o julgamento dos integrantes da banda New Hit.
A Marcha Mundial das Mulheres e outras organizações chegaram à cidade para protestar e acompanhar o julgamento, que terá a duração de 3 dias.
A manifestação terá a participação de 8 prefeitos de cidades baianas e tem o apoio de 48 instituições de todo o país. A intenção é pressionar os envolvidos no processo, já que a fama e o dinheiro dos acusados podem ajudar a abrandar a decisão.
Vamos ajudar a dar visibilidade ao julgamento. Não pode passar batido, queremos justiça!
A rádio http://www.fmesperanca.com/ fará a cobertura do julgamento da banda. A programação está variando no momento, mas prometem a cobertura na íntegra.
Banda processada por estupro responderá em liberdade. Você concorda?
Essa é uma daquelas notícias que preferíamos não ter que ler.
Apesar de estarem sendo processados pelo Ministério Público, os nove integrantes da banda New Hit e o policial acusado de conivência no estupro das duas jovens responderão pelo crime em liberdade.
Segundo essa reportagem do Uol, “a promotora de Justiça Marisa Marinho Jansen Melo de Oliveira classificou os atos como “vis e animalescos” e denunciou o grupo por “estupro qualificado, com concurso de duas ou mais pessoas, concurso material com características de crime hediondo.””
Entretanto, o fato de não possuírem antecedentes criminais fez com que tivessem o pedido de habeas corpus aceito pelo desembargador Lourival Almeida Trindade.
Uma petição foi criada para pedir que o habeas corpus concedido aos integrantes da banda New Hit seja revogado, o que consideramos justíssimo.
Clique na imagem para ler o texto da petição e assine!
“Precisamos pressionar as autoridades para que os integrantes da banda New Hit e o policial militar que foi conivente com o crime não sejam julgados em liberdade e nem escapem impunes! Precisamos fazer barulho e mostrar que a culpabilização da vítima e o descaso em relação a estupros não serão mais tolerados! Basta!”
Essa petição será enviada a Lourival Almeida Trindade, relator da 2ª turma da 1ª Câmara Criminal do TJ-BA.
Nossa mensagem tem que ir além do Facebook: precisamos lembrar as pessoas nas ruas que a violência contra a mulher existe e que devemos lutar pelo seu fim.
Esse caso absurdo de estupro, que tem os os integrantes da Banda New Hit como acusados, está longe de ser único. Diariamente mulheres são estupradas no Brasil e não denunciam, seja por medo ou por vergonha de serem desacreditadas.
Reproduzimos aqui a carta de apoio às vítimas publicada na página Repúdio ao New Hit: acusados de estupro, que serve não apenas às vítimas deste caso, mas à todas:
“Por meio desta carta, queremos demonstrar toda a nossa solidariedade às duas vítimas que acusam os integrantes da banda New Hit de estupro. Estupro é um crime hediondo que não pode ficar impune. Portanto, declaramos aqui nosso apoio e nosso desejo de que vocês tenham muita força nessa luta. Até agora, vocês já mostraram ter muita coragem pelo simples fato de fazer o que é certo: denunciar! Por isso, estamos do seu lado. São milhares de pessoas que apoiam vocês.
Portanto, não se sintam sozinhas. Nós, mulheres e homens da sociedade civil e grupos pelos direitos das mulheres estamos de olho no caso e vamos acompanhar para que seja feita justiça.
Sabemos que, pela coragem que tiveram, o momento atual tem sido muito difícil não só para vocês, mas também para seus familiares e amigos. Mas não se arrependam de cobrar justiça, por mais que o medo, a insegurança e o preconceito batam à porta. A culpa do estupro não é de vocês. Jamais acreditem nisso, jamais aceitem que alguém diga isso para vocês. A culpa do estupro SEMPRE é do estuprador.
Saibam que vocês já são admiradas por muitas mulheres que acreditam na mudança da sociedade e que vocês servirão de exemplo e força para aquelas que sofrem todos os dias com violência semelhante, mas se calam por motivos como vergonha e medo.
São atitudes como a de vocês que são capazes de expor e ajudar a acabar com a cultura do estupro que existe em nossa sociedade, pela qual homens acreditam ter o direito de violentar mulheres pelo simples fato de serem mulheres. Unidas podemos acabar com isso e mostrar que merecemos respeito independentemente do lugar onde estamos ou da roupa que vestimos.
Novamente desejamos toda a força e saibam que vcs não estão sozinhas nessa luta!
“A secretária Lucia Barbosa entrou em contato com o secretário estadual de Segurança Pública e pediu a intervenção para que o procedimento seja acelerado. “O caso serve como reflexão sobre a necessidade do respeito à figura feminina na sociedade. A responsabilização dos possíveis culpados servirá de exemplo, ajudando a acabar com a sensação de impunidade que ainda possa existir nas pessoas que cometem violência”, disse, destacando o esforço da SSP em esclarecer os fatos.”
E a luta continua, diariamente! Pelo fim da violência contra a mulher!
Em caso de violência ligue 180 para denunciar ou entre em contato com o Tecle Mulher pela internet. Sabemos que não é fácil denunciar, mas é necessário se quisermos começar a mudar nossa realidade.
O absurdo caso da banda NewHit. Vamos acompanhar!
Nada que dissermos pode ser tão contudente quanto o depoimento da vítima no vídeo abaixo.
Depoimento da vítima no canal, entremeado de perguntas inúteis e exclamações “horror” por parte do entrevistador
Uma rápida olhada na internet prova que as pessoas tentam de toda forma justificar o ato do estupro culpando a vítima. São centenas de mensagens que afirmam que “elas mereceram”, “estão mentindo”ou “querem prejudicar a banda”.
Existe uma grande resistência à palavra estupro e à existência dele. Malucos afirmar que só “loucos” estupram, quando há pesquisas que sugerem que a maioria dos estupros são cometidos por conhecidos.
Estaríamos então cercadxs de loucos? Não. Isso faz parte da cultura do estupro, o fato de que a justiça não é feita, não há real punição. Acontece não porque são loucos, mas porque saem impunes.
O fato das adolescentes terem entrado no ônibus nunca, jamais será motivo para serem estupradas. E é sempre bom lembrar que ser virgem ou não tampouco deve ser considerado um argumento para justificar esse ato bárbaro.
A autora da Lei Antibaixaria (não conhece o projeto antibaixaria? Leia uma notícia aqui), Maria Luiza do PT, defende prisão de 40 anos para acusados e diz: “Eu acho um absurdo uma tragédia, uma coisa estúpida, que não tem comparação com nada na história da violência contra a mulher. A sociedade precisa reagir, os movimentos de mulheres, feministas, apelar para que eles passem 40 anos presos para que sirva de exemplo”.
Já há provas de que houve estupro das duas garotas. Ainda estamos aguardando o laudo sobre o sêmen encontrado para ver se a justiça realmente será feita ou se mais uma vez a culpabilização da vítima é que sairá vitoriosa da situação. Essa é uma questão muito importante e que merece nossa atenção.
Foi criada a páginaRepúdio ao New Hit: Acusados de Estupro no Facebookpara expressar o repúdio aos acusados dos estupros. Nessa página também será possível acompanhar notícias sobre o caso e ficar atentx ao desenrolar da acusação.
Declaramos nosso apoio às garotas e seus familiares, que certamente sofrem ao ver as pessoas que amam serem feridas e violadas dessa maneira. A coragem dessas meninas deve servir de exemplo.
Reunimos aqui links de páginas destinadas a apoiar e orientar vítimas de relacionamentos abusivos, administrada por pessoas que certamente vão acreditar em você.