E (finalmente) chega o dia do julgamento da banda New Hit

Hoje inicia-se o julgamento dos integrantes da banda New Hit.

A Marcha Mundial das Mulheres e outras organizações chegaram à cidade para protestar e acompanhar o julgamento, que terá a duração de 3 dias.

A manifestação terá a participação de 8 prefeitos de cidades baianas e tem o apoio de 48 instituições de todo o país. A intenção é pressionar os envolvidos no processo, já que a fama e o dinheiro dos acusados podem ajudar a abrandar a decisão.


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Vamos ajudar a dar visibilidade ao julgamento. Não pode passar batido, queremos justiça!


A rádio http://www.fmesperanca.com/ fará a cobertura do julgamento da banda. A programação está variando no momento, mas prometem a cobertura na íntegra.


Mais informações:

Segurança é reforçada para julgamento da banda New Hit

Sob pressão popular, banda New Hit começa a ser julgada por estupro de fãs na Bahia

New Hit: Ato de protesto no 1º dia do julgamento contará com apoio de prefeitos

Julgamento de músicos do New Hit é iniciado com protestos


Nossos posts sobre o caso: http://machismochatodecadadia.tumblr.com/tagged/NewHit

Banda processada por estupro responderá em liberdade. Você concorda?

Essa é uma daquelas notícias que preferíamos não ter que ler.

Apesar de estarem sendo processados pelo Ministério Público, os nove integrantes da banda New Hit e o policial acusado de conivência no estupro das duas jovens responderão pelo crime em liberdade.

Segundo essa reportagem do Uol, “a promotora de Justiça Marisa Marinho Jansen Melo de Oliveira classificou os atos como “vis e animalescos” e denunciou o grupo por “estupro qualificado, com concurso de duas ou mais pessoas, concurso material com características de crime hediondo.””

Entretanto, o fato de não possuírem antecedentes criminais fez com que tivessem o pedido de habeas corpus aceito pelo desembargador Lourival Almeida Trindade.

Uma petição foi criada para pedir que o habeas corpus concedido aos integrantes da banda New Hit seja revogado, o que consideramos justíssimo.




Clique na imagem para ler o texto da petição e assine!


“Precisamos pressionar as autoridades para que os integrantes da banda New Hit e o policial militar que foi conivente com o crime não sejam julgados em liberdade e nem escapem impunes!
Precisamos fazer barulho e mostrar que a culpabilização da vítima e o descaso em relação a estupros não serão mais tolerados! Basta!”

Essa petição será enviada a Lourival Almeida Trindade, relator da 2ª turma da 1ª Câmara Criminal do TJ-BA.


Petição pela “Revogação ao pedido de habeas corpus deferido dos integrantes da banda New Hit”


Notícias sobre o caso:

MP denuncia os nove integrantes da banda New Hit por estupro; grupo consegue habeas corpus

Integrantes da New Hit e PM têm o pedido de habeas corpus deferido


Leia outros posts do Machismo Chato sobre a banda New Hit.

Dossiê Mulher e a dura realidade

O Dossiê Mulher, documento criado pelo ISP (Instituto de Segurança Pública), tem o objetivo de traçar um diagnóstico dos principais crimes relacionados à violência contra a mulher. A sétima edição do dossiê apresenta informações sobre o ano de 2011 com base nas ocorrências registradas nas delegacias do estado do Rio de Janeiro.

Estima-se que no ano passado 335 mulheres foram estupradas por mês no Rio de Janeiro. Das 4.871 vítimas de estupro, 82,6% eram mulheres e metade delas menores de 14 anos de idade. Comparado ao ano anterior, houve o aumento de 7,2% no total de estupros registrados.

Mais de 70% desses abusos aconteceu dentro de casa e mais da metade deles foi cometido por conhecidos da vítima. Em 30% dos casos os agressores eram os pais, padrastos ou outros parentes.




Clique na imagem para acessar o Dossiê Mulher 2012.


Essas informações do Dossiê Mulher servem para desmitificar o estupro e acabar principalmente com o argumento que estupradores são “malucos”. Estupradores são homens comuns (des)educados numa sociedade machista e encorajados a tomar mulheres, se possível com consentimento.

O fato da maioria das agressões ocorrer em casa mostra o quão enraizado está esse problema. Assistir mulheres validando o estupro mostra o caminho complicado que ainda temos pela frente. Saber que muitas vítimas são crianças é um alerta para sempre observarmos as crianças ao nosso redor, principalmente se houver grandes mudanças no comportamento ou se apresentarem sinais de depressão.

Essa reportagem exibida no 02 de agosto de 2012 no Jornal do SBT, afirma que os estupros aumentaram 24% no primeiro semestre de 2012 na cidade de São Paulo. Esse ano foram registrados 1473 casos contra 1186 em 2011. No vídeo há também o retrato falado de um estuprador que ataca na Zona Leste da cidade.

Estupro é sempre um assunto incômodo e triste, mas não podemos ignorá-lo.

O Dossiê Mulher 2012 pode ser visto aqui.

O silêncio da MTV Brasil no caso Testosterona

E a gente não poderia deixar de falar do caso Testosterona, blog parceiro da MTV Brasil. Depois de anos disseminando a misoginia com piadas que beiram o criminoso, talvez alguma coisa aconteça com o responsável por tanta apologia à violência.

Esse texto postado no fórum Subjudice não poderia ser mais claro sobre as implicações legais de se postar determinado tipo de conteúdo.

Uma dessas postagens, que incorreria nos artigos 213 e 286, é essa (que foi retirada do ar e depois teve seu vídeo substituído por outro bem inocente). O vídeo aparece como “apresentado” pelo site e ensina como conseguir sexo anal de sua namorada sem o consentimento dela. A frase final dá uma ideia do conteúdo geral do site: “o sexo anal seria mais gostoso porque é quentinho, apertado e porque é mais humilhante para a mulher”.




Imagem criada pela página Nós denunciamos



E aí iniciou-se a onda de protestos contra a MTV Brasil por hospedar um site que faz apologia à violência contra a mulher. Imagens foram criadas e compartilhadas nas páginas do Facebook, emails enviados aos assessores de imprensa e perguntas deixadas na página da emissora. Denúncias foram feitas aos órgãos competentes.

Depois de bastante barulho, a empresa resolveu se manifestar com aquela notinha típica de quem quer sair pela tangente.

Provas de que o responsável pelo Testosterona admirava Silvio Koerich, um dos maiores criminosos da internet, foram encontradas. Inclusive o vídeo mencionado foi copiado de Silvio Koerich. (Imagens disponibilizadas pelas Feministas do Cariri no Facebook. Podem ser vistas aqui, aqui e aqui.)




Imagem criada pela página Nós denunciamos



Outras imagens foram criadas e compartilhadas e mais e-mails enviados. A MTV Brasil respondeu em sua página que providências estavam sendo tomadas. Ao ser questionada sobre quais seriam essas providências, a empresa fechou-se em absoluto silêncio.

No dia seguinte à primeira onda de protestos, a primeira imagem da postagem misteriosamente sumiu do Facebook. Com ela, todas as instruções para denunciar tamanho absurdo.

A revolta dos usuários se intensificou e prints de imagens desconcertantes retiradas do Testosterona foram colados no mural da MTV Brasil. Imagens em que o logotipo da MTV Brasil aparecia.




Imagem criada pela página Feministas do Cariri



Foi o que faltava para a empresa bloquear quem discordasse (nós, por exemplo) e parasse de exibir as publicações de outros usuários.

Porém, ontem nos deparamos com essa notícia:




Clique na imagem para ver a notícia



Destacamos esse trecho surreal: “(…) diz que depois de receber muitas reclamações decidiu retirá-lo do ar. “Sempre tive o cuidado em não incitar violência contra a mulher, já que é um blog de humor, e quando vi que o vídeo estava dando margem a esse tipo de discussão, retirei imediatamente.(…)”

Visite o Misoginia é a Soma. Se não enxergar “incitação à violência contra a mulher”, certamente poderá ver que apologia à violência é feita.

Foram desenvolvidos alguns memes para combinar com tamanha cara de pau.

Muitas das postagens violentas do Testosterona estão sendo apagadas rapidamente. Muitas coisas já deram “margem a esse tipo de discussão” mas não foram apagadas antes. Por que agora? Ele não está sossegado com o conteúdo que estava postando?

Esperamos que dê em algo, sinceramente, porque não é uma postagem escrota, são muitas .

Leia a resposta que a Jarid A. recebeu da Secretaria de Políticas para Mulheres. Parece promissora.

E, enfim, todas esses situações recentes nos levam a pensar além do machismo e da responsabilidade social que as empresas deveriam ter: onde está o respeito que as empresas deveriam ter pelos consumidores que discordam delas?

O absurdo caso da banda NewHit. Vamos acompanhar!

Nada que dissermos pode ser tão contudente quanto o depoimento da vítima no vídeo abaixo.



Depoimento da vítima no canal, entremeado de perguntas inúteis e exclamações “horror” por parte do entrevistador


Uma rápida olhada na internet prova que as pessoas tentam de toda forma justificar o ato do estupro culpando a vítima. São centenas de mensagens que afirmam que “elas mereceram”, “estão mentindo”ou “querem prejudicar a banda”.

Existe uma grande resistência à palavra estupro e à existência dele. Malucos afirmar que só “loucos” estupram, quando há pesquisas que sugerem que a maioria dos estupros são cometidos por conhecidos.

Estaríamos então cercadxs de loucos? Não. Isso faz parte da cultura do estupro, o fato de que a justiça não é feita, não há real punição. Acontece não porque são loucos, mas porque saem impunes.





O fato das adolescentes terem entrado no ônibus nunca, jamais será motivo para serem estupradas. E é sempre bom lembrar que ser virgem ou não tampouco deve ser considerado um argumento para justificar esse ato bárbaro.

A autora da Lei Antibaixaria (não conhece o projeto antibaixaria? Leia uma notícia aqui), Maria Luiza do PT, defende prisão de 40 anos para acusados e diz: “Eu acho um absurdo uma tragédia, uma coisa estúpida, que não tem comparação com nada na história da violência contra a mulher. A sociedade precisa reagir, os movimentos de mulheres, feministas, apelar para que eles passem 40 anos presos para que sirva de exemplo”.


Já há provas de que houve estupro das duas garotas. Ainda estamos aguardando o laudo sobre o sêmen encontrado para ver se a justiça realmente será feita ou se mais uma vez a culpabilização da vítima é que sairá vitoriosa da situação. Essa é uma questão muito importante e que merece nossa atenção.

Foi criada a página Repúdio ao New Hit: Acusados de Estupro no Facebook para expressar o repúdio aos acusados dos estupros. Nessa página também será possível acompanhar notícias sobre o caso e ficar atentx ao desenrolar da acusação.




Declaramos nosso apoio às garotas e seus familiares, que certamente sofrem ao ver as pessoas que amam serem feridas e violadas dessa maneira. A coragem dessas meninas deve servir de exemplo.


Reunimos aqui links de páginas destinadas a apoiar e orientar vítimas de relacionamentos abusivos, administrada por pessoas que certamente vão acreditar em você.

Sobrevivendo a violência

Mulheres Presentes

Grupo e discussão Sobrevivendo a violência

União de Mulheres (SP)

SOF (Sempreviva Organização Feminista) (SP)

Tecle Mulher

Se você tiver mais informações e links, envie para nós!



Outras informações:

Página no Facebook do acusado de estuprar uma das adolescentes, Eduardo Martins

Página oficial da banda New Hit


Mais notícias sobre o caso:

Músicos da New Hit são transferidos para alojamento da delegacia de Ruy Barbosa

Caso New Hit e outras drogas (coluna com um texto bem consciente)

Entravam de 2 em 2’, diz menor sobre estupro por integrantes de banda

Jovens estavam “totalmente sujas de sêmen”, diz coronel.

Ação anti estupro do FEMICA (CE)

O grupo FEMICA, as Feministas do Cariri, mais uma vez promoveu uma ótima ação no Ceará.

O grupo reuniu-se na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, para um protesto anti estupro no dia 18 de agosto de 2012.





Expondo cartazes e entregando panfletos, o intuito da ação era contribuir na educação da população, conscientizando principalmente os homens (não é preconceito: a grande maioria das pessoas que estupram são homens).





Não faltou um lembrete ao órgão que, formado por publicitários, devia saber que propagandas influenciam. O que muitos julgam “bobo” e “inofensivo” parece ser a raiz da violência resultante do machismo.





Essa é uma ação bonita e simples, que você pode reproduzir em sua cidade. Inspire-se!





Veja mais fotos no álbum da ação no Facebook.

Edição de imagens: Rômulo Aragão (aragaoromulo@gmail.com)

Feministas do Cariri no Facebook

A retratação (e a promessa) da Prudence

Nem uma, nem duas. Foram três mensagens de retratação publicadas pela Prudence no Facebook. Mais uma prova de que o sofativismo funciona.

A primeira mensagem da empresa não disse muito e só piorou a situação.

Não houve pedido de desculpas, só a infeliz tentativa de se justificar. Eles não haviam entendido o motivo da revolta e isso aumentou mais a irritação d@s indignad@s. Relacionar “sem consentimento” com sexo era uma “forma divertida” de mostrar… o que?? Não tem nada de divertido em algo sem consentimento.

Outro erro da Prudence foi sugerir a quem quisesse continuar reclamando que entrasse em contato por mensagem (privada). Essa sugestão foi bem criticada e muitos cobraram que a empresa respondesse publicamente sobre a besteira divulgada publicamente, o que é bem justo.




Ótima intervenção na propaganda feita pelo Femismo na Rede.


Tivemos que explicar a eles o motivo da indignação repetindo centenas de vezes a frase “Façam OUTRA postagem e digam qual foi o erro! EXPLIQUEM PROS SEUS CLIENTES! Nós queremos ver um “TIRAR A ROUPA DE UMA MULHER SEM O CONSENTIMENTO DELA É ABUSO SEXUAL E É CRIME”. E eles tentaram novamente.

A segunda mensagem, apesar de conter um pedido de desculpas, repete um dos erros da primeira: argumentar que o conteúdo publicado não foi criado por eles e já circulava na internet (algo como “outras pessoas compartilharam a /infame/ ‘Dieta do Sexo’ antes de nós, então por que estão pegando só nosso pé?”). Essa tentativa de fugir da responsabilidade gerou ainda mais revolta.

Aparentemente as empresas ainda não entenderam que têm responsabilidade pelo conteúdo que publicam. Ficou claro para a Prudence (e esperamos que para outras empresas também) que ninguém queria saber de onde tinha vindo o conteúdo. Só sabíamos que estava (e devia sair de) lá.

E a terceira resposta, depois de muita pressão, nos promete uma campanha contra o abuso. Na íntegra:

“Nós da Prudence lamentamos a publicação do material intitulado “Dieta do Sexo”. Reiteramos que recriminamos todo e qualquer tipo de abuso, violência sexual ou discriminação, e tirar a roupa da parceira sem consentimento é abuso sexual e é crime. Reforçamos nosso compromisso em defesa da saúde pública e do desenvolvimento social e apoiamos a causa, e iremos criar uma campanha contra a violência sexual.”.

A Prudence também publicou um comunicado oficial sobre o ocorrido em seu site.

A polêmica repercutiu em várias das grandes mídias. Vitória nossa! Estamos aguardando a campanha, Prudence, e não vamos esquecer.

Não aceitem o que incomoda e ofende. Podemos nos unir para mudar!


Esse post faz parte de uma blogagem coletiva sobre o caso da Prudence.

Prudence e a fetichização do estupro”, Blogueiras Feministas, Luka.
Guestpost: Propaganda acima do bem e do mal”, Escreva Lola Escreva, Vivian.
A propaganda da Prudence e a heteronormatividade”, Minoria é a mãe, Kamila.
Desconstruindo a cultura do estupro”, Mulher Dialética, Jarid.
A violência é fácil de se entender”, Feminerds, Julia.
dear Prudence”, Meu palanque, Fran Carneiro.
Nota de repúdio da Marcha Mundial das Mulheres à publicidade sexista da Preservativos Prudence”, Marcha Mundial das Mulheres.
Lira Alli: Camisinha Prudence faz apologia ao estupro”, Viomundo.
O Estupro da Prudence e o que nós aprendemos com ele, Não precisa gritar
A absurda propaganda da Prudence”, Machismo chato de cada dia.

Notícia sobre o caso:
Conar deve abrir, até amanhã, processo contra marca de preservativos Prudence
Marca de preservativos retira publicidade da internet após críticas
Fabricante de camisinha tira anúncio polêmico do ar
Propaganda de camisinha que incentiva violência contra mulher causa polêmica no Facebook

Estupro não é piada (mais uma tentativa!)




Às vezes a gente teme ser repetitiva. Mas infelizmente, a cada dia que passa, prova-se a necessidade de repetir alguns valores, como “Estupro não é piada” ou “Estupro não é sexo”.





Intervenção feita na Al. Santos (SP) no dia 29/07/2012 e enviada por MF.

A absurda propaganda da Prudence




Alguns absurdos são impossíveis de ignorar.

A marca de preservativos Prudence decidiu apelar para sugestões nada recomendadas, como despir uma mulher sem consentimento ou tirar o sutiã dela enquanto ela lhe bate. Isso não tem nada a ver com sexo e não deixa de ser uma apologia à violência.


Para abusos como esse existe o Conar, um órgão de regulamenta propagandas, onde você pode denunciar essa e outras propagandas ofensivas que encontrar por aí.(http://www.conar.org.br/).

Basta clicar em Reclamações e preencher seus dados. Escreva o motivo da queixa junto do link a ser denunciado (a imagem que está sendo veiculada no Facebook).


Abuso sexual não é piada. Esse tipo de atitude não pode continuar, mas para isso precisamos agir em massa. Denuncie!


Editado em 02/08/2012: Veja o post sobre a retratação da Pudence.

Estupro não é sexo

Para aqueles que insistem em achar que o estupro é uma forma de sexo. Estupro não é sexo, é violência.





As palavras “comeu”, “pegou”, “deu”, “transou”, “meteu”, “furou”, entre outras, não são as palavras certas para se referir ao ato de fazer sexo sem o consentimento da outra pessoa.

O nome disso é estupro. Ah, o nome é forte demais? A atitude é pior.