Mulheres, games e machismo

Mulheres que curtem games têm um desafio além do jogo: serem respeitadas enquanto jogam.

Precisam lidar com o machismo dos outros jogadodores, divididos em dois grupos: aqueles que acham que elas vão estragar o “time” (e as atacam) e aqueles que acham que elas precisam ser defendidas desses ataques.

Mulheres gamers são assediadas, criticadas e indesejadas nesse universo apenas por serem mulheres. Enquanto pensam que o jogador é um homem, tudo está bem. Mas naqueles jogos em que são necessários o uso da voz, elas são atacadas assim que suas vozes soam.


image


Para quem não está familiarizada/o, o termo noob (ou newbie, ou n00b) é uma gíria para “novato/a” e pode ser usado para se referir a uma pessoa que joga mal.


Alguns homens acreditam que quando as mulheres ganham, ganham por serem mulheres. E acreditam também que quando perdem, perdem por serem mulheres. No mínimo contraditório. Nada relacionado ao esforço, técnica ou conhecimento da jogadora. Para eles, o resultado é ditado por uma questão de gênero, cromossomos ou hormônios.

Para essas vencedoras (porque jogar e ainda lidar com uma horda enchendo o saco é para poucos), dedicamos essa imagem que circulou no Facebook.

E continuem jogando. Não se deixem pressionar pelo machismo!


Aproveite para ler o “Não seja essa player - Manifesto da garota gamer”.
Invertendo: super-heroínas vestidas e heróis em armaduras inúteis

O artista Michael Lee Lunsford fez um trabalho interessante: redesenhou a vestimenta de algumas super-heroínas e cobriu-as por completo.

Não sabemos a real intenção do artista (ele apagou o post do tumblr), mas aparentemente o objetivo não era adequa-las a um código moral e sim fazer um exercício de desenho.

Esse resultado apresenta uma visão que chega até a ser estranha num primeiro momento. Não estamos acostumadas/os a ver as heroínas vestidas como os super-heróis - cobertos: o número de super-heroínas seminuas é decididamente maior.

Do lado direito estão os desenhos feitos por Michael. Do lado esquerdo colocamos uma imagem de referência caso você não esteja familiarizada/o com as vestes originais. E no final há uma imagem bônus que ajuda a repensarmos como as mulheres são representadas.


PowerGirl

image


Vampirella

image


Canário Negro

image


Elektra

image


SuperGirl

image


Mulher Maravilha

image


Zatanna

image


Psylocke

image



Veja as imagens de Michael Lunsford em tamanho maior


Bônus: o outro lado.

Não existe nada mais inútil do que as armaduras de algumas super-heroínas, que não cobrem nada do corpo e as deixam expostas a mais ferimentos nas batalhas.

Imagine homens usando essas armaduras. Não precisa:


image

“Armadura inútil. Agora disponível em caras.” (Tradução livre)

Feminismo: cortando as amarras

Participar da construção e ações do feminismo é como cortar amarras. Libertar-se para agir sob orientações da própria consciência e seguir a própria moral, não a definida por outrxs.

Leia, debata, participe, conheça outras mulheres. Corte as SUAS amarras. É difícil, pode ser uma a uma, mas é muito necessário.


image


Não sabemos quem é o responsável por essa imagem. Se souber, avise-nos!

Gerald Thomas, Pânico e Nicole Bahls - a agressão em nome do humor

A essa altura, quase niguém ignora o que foi a babaquice machista da semana passada: Gerald Thomas e seu machismo ofensivo, agressão gritante ao colocar a mão sob o vestido de Nicole Bahls numa reportagem pelo programa Pânico.

Sua justificativa foi aquela, velha e inconsistente: suas roupas, seus seios, seu salto.

Alegando ser contra a “caretice”, mostrou ele ser o mais “careta”, vivendo a vida em uma ignorância que deveria pertencer a uma outra época. Declarou “meti a mão na menina”, ao mesmo tempo que defendeu que mulher não é objeto, mas também não deveria se apresentar como tal. Mais caretice do que controlar a vestimenta alheia?

Não deveria ser preciso dizer que Nicole tem o direito de vestir o que quiser sem ser agredida e que Gerald Thomas não tem o direito de colocar suas mãos em uma mulher sem seu consentimento. Infelizmente é necessário reafirmar isso.

As roupas e o emprego de Nicole Bahls não são justificativas para agredi-la. Nem qualquer outro problema que existe no país, como a corrupção* (tá de brincadeira, né?).




Imagem da página Nós Denunciamos no Facebook.


Tem quem não ache grave: “ele é um grande diretor”, “foi em nome da arte”. Não dá para saber se sentimos mais vergonha ou raiva ao escutar essas justificativas. O pessoal tá precisando pensar melhor nisso aí. O que tem a ver o cara ser um grande diretor com o fato de ser um agressor? O que há de arte no abuso e constrangimento de uma mulher?

Isso já acontece todos os dias. Não tem nada de subversivo nisso.

Quem assistiu o péssimo programa Pânico ontem, viu que o apresentador estava visivelmente irritado, insistindo que isso faz parte do humor. Até um psicólogo foi chamado para corroborar essa versão - fazer a cabeça da molecada que faz parte do público alvo, apresentando-se como uma autoridade.

Emilio fez questão de declarar que são contra a violência contra a mulher e que não a estavam incitando. Mas se você diz que é humor colocar a mão sob a saia de uma mulher sem o consentimento dela, que mensagem você acha que está passando, meu caro?

Parece óbvio que Nicole sentiu-se incomodada, mas conhece as implicações a que seu trabalho está “sujeito” e as aceita, talvez com naturalidade. Ao invés de sentirmos raiva dela por essa aceitação, precisamos pensar e agir com mais intensidade para quebrar o ciclo de violência naturalizado.

A situação de Nicole passa por uma relação intrincada baseada em formas de poder muito conhecidas, como a relação funcionária/patrão e a recorrente intimidação das mulheres, praticamente forçadas a não reconhecerem-se agredidas.

Para quem acha que ela devia “se dar valor”, esse outro post.


Links sobre o caso:

*‘Meti a mão na menina’, diz Gerald Thomas sobre Nicole Bahls - Mais justificativas medíocres do diretor, desta vez apelando para a “corrupção”.

As declarações ridículas do diretor em seu blog.

Um programa de tv em estado de Pânico

A cultura do estupro gritando – e ninguém ouve

Mulheres práticas, segundo a Volkswagen

A primeira coisa que pensamos ao ver esse link é que era brincadeira.

A Priscila Z. deixou na nossa página no Facebook essa amostra bizarra de propaganda que ao tentar ser simpática às mulheres apenas aliena e limita as possibilidades do que entendemos por mulher.


image


Adotando um tom condescendente, as “dicas” são cheias de suposições.

O pé esquerdo deve ficar apoiado na embreagem. Mentira: Além de ser prejudicial ao sistema de embreagem, você pode quebrar seu salto. Aperte o pedal de embreagem somente durante as trocas de marchas. Assim sua embreagem dura mais e você economiza para satisfazer seus caprichos femininos.

Supõe-se que a mulher prática use saltos. Mas não é só isso: apesar de prática, essa mulher não conseguiu se livrar dos tradicionais caprichos femininos. (Aliás, o que seriam caprichos femininos?)

Devo verificar o óleo semanalmente. Verdade: Imagine sua pele sem hidratante. É assim que o motor fica quando está sem óleo. Uma vez por semana, verifique o nível do óleo e garanta seu motor rodando macio.

Essa relação pele-hidratante/motor sem óleo é totalmente sebosa. Não há nada a dizer. Avaliem.

Nunca devo atravessar um trecho alagado quando a água estiver acima dos faróis. Verdade: Além de estragar a “chapinha” de seu cabelo, muita água também estraga seu carro.(…)

Aparentemente essa “mulher prática” não abrange todas nós. Estão excluídas as de cabelos naturalmente lisos,cacheados e crespos.


Agora, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, eles nos presentearam (ao contrário) com essa imagem:


image


A Priscila nos convida a incomodar esse pessoal que não pensa antes de fazer.

Faça sua denúncia ao CONAR, vamos vencê-los pelo cansaço: http://www.conar.org.br/

Vamos enviar e-mails à Promotoria de Justiça do Consumidor de São Paulo citando esse precedente [do Habib’s em relação à comunidade portuguesa] e requerendo a instauração de inquérito civil para apurar discriminação contra a mulher em propaganda.

O e-mail é pjconscap@mp.sp.gov.br. Sua mensagem deve conter seu nome completo e RG.

Mais uma vez a Volkswagen dando fora no Brasil.

Trotes criminosos na Poli (e a violência no trote da USP São Carlos)

Recebemos de uma aluna essa séria denúncia sobre trotes realizado na Poli, a faculdade de Engenharia da USP.

“Todo ano eles organizam uma competição chamada IntegraPoli (definição aqui: http://cam.poli.usp.br/integrapoli/), uma espécie de gincana para integrar bixos e veteranos. A lista de objetivos é sempre terrível, mas nesse ano tem alguns itens MUITO perturbadores.


image



Alguns exemplos:

27. Vídeo: pegadinha inspirada em “Dick In a Box” (2 pontos). Ponto extra para o melhor vídeo. Link: http://www.youtube.com/watch?v=T7H9xEesilU

30. Video: Cumshot Surprise (3 pontos). Dois pontos extras para o melhor video. Vídeo inspiração: (suprimido o link para o vídeo de um cara que toca a campainha de uma mulher e ejacula na cara dela, de surpresa).

39. Construir uma metralhadora de elástico a ser testada em uma bixete de biquíni ao vivo.

Veja o documento completo aqui: http://pt.scribd.com/doc/128147520/Lista-IntegraPoli-2013

Sem contar incitação a outros crimes, como invadir o sistema digital de graduação da USP (JupiterWeb - item 54). Comportamento criminoso dos alunos que elaboraram essa “cartilha”.


image


Clique na imagem para acessar o documento com esses dados


Na semana passada, alunos da USP em São Carlos atacaram a manifestação feminista contra o concurso Miss Bixete 2013. Jogaram bombinhas, mostraram os genitais, simularam sexo com bonecas infláveis, além de assediar as manifestantes. Mais um abuso sem consequências que acontece dentro do espaço da faculdade. (Veja um vídeo do ato)

Aparentemente não há a mínima fiscalização do que acontece nos espaços públicos das universidades (ou é ruim demais).


image

Imagem do ato contra Miss Bixete- USP São Carlos


Já passou da hora de fiscalizar de verdade o que acontece nos trotes pelas universidades do país. Se não for possível a fiscalização, que seja feita a proibição. Entendemos o “trote”, o símbolo do “rito de passagem”, “cerimônia de aceitação”, mas se não se consegue fazê-lo sem violência, era melhor que deixasse de ser feito.

Se você acha que o trote não deve acabar, cobre da sua faculdade ou universidade um plano para os trotes do próximo ano letivo, sugestões de coisas inofensivas e divertidas. Faça sua parte para evitar que coisas como essas continuem acontecendo.


image

Será que dá para ser mais bacaca? Pior que dá. Veja as fotos clicando na imagem


E a todxs nós: que tal mandarmos um e-mail para a ouvidoria da Poli da USP cobrando providências quanto às incitações desse manual? Pode enviar para ouvidoria@poli.usp.br ou preenchendo esse formulário. Aproveite e mande também para a USP São Carlos: ouvidor@sc.usp.br ou preencha o formulário.
No Carnaval 2013 - 2

Intervenção fotografada pela Dani C. e Amanda A. no carnaval da Lapa, no Rio de Janeiro.


image


Mais uma reação contra o machismo nas ruas do Rio de Janeiro. As mensagens têm que tomar as ruas, de todas as formas. Toda expressão é válida e importante para sacudirmos o “senso comum”.

Mais uma vez: Beijar à força não é paquera, é violência.

Finalizando o caso MTV Brasil/Testosterona

Faz algumas semanas, mas a parceria entre a MTV Brasil e o blog Testosterona foi desfeita pela emissora.

Parabéns à todxs que se envolveram e denunciaram. A nossa pressão funciona, vamos aplicá-la em todas as áreas possíveis!

Assinamos petições, questionamos a emissora em sua página no Facebook, no Twitter, compartilhamos informações e escrevemos posts. Foi mais uma pequena vitória do ativismo de sofá!


image

Imagem criada e postada pela página Nós Denunciamos no Facebook


Ao todo foram mais de 20.000 assinaturas na petição organizada pela AllOut! Essa pressão conseguiu uma atitude da MTV Brasil, que tentava a todo custo nos ignorar.

Muitos dos seguidores do ex parceiro da MTV passaram dias tentando nos convencer de que isso não era nada e até mesmo que era pouco dinheiro que rolava nessa parceria (como se fosse esse o ponto que mais nos importava).

Para nós o que importa é a simbologia disso: a MTV Brasil teve que se dobrar às nossas exigências e suspender sua participação num blog cheio de misoginia e violência contra as mulheres. Em tempos atuais apoiar um blog com esse tipo de conteúdo é certamente um tiro no pé.


image


Não nos calaremos mais. Que as emprensas repensem suas parcerias, as propostas de propagandas apresentadas pelas agências ou as solicitações apresentadas pelos clientes. Mudem, porque nós mudamos e não aceitaremos mais.


Leia os posts anteriores sobre o assunto: http://machismochatodecadadia.tumblr.com/tagged/testosterona