Machismo chato de cada dia

Contra o machismo chato de cada (todo) dia. Reunimos intervenções contra o machismo e temas relacionados.

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Ronaldo Fraga, Bombril e Cadiveu: o que eles têm em comum?

No ano passado, a parceria entre a marca Bombril e o Programa Raul Gil no concurso “Mulheres que brilham”, criado para revelar novas cantoras da música brasileira, trouxe à tona mais do que vozes, trouxe também o racismo entranhado.

O logo criado para o concurso ofendeu grande parte das mulheres negras ou de cabelos crespos, pois parecia sugerir a comparação com a palha de aço fabricada pela empresa. O perfil de uma mulher de cabelos black power com o logotipo da Bombril posicionado bem em cima dos cabelos, tudo sobre um fundo amarelo que obviamente faz lembrar a embalagem, não é bem a ideia do que desejamos encontrar quando buscamos por identificação.


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Supor que a comparação entre cabelos crespos e a palha de aço seja elogiosa é no mínimo ingenuidade. Quem teve ou tem o cabelo comparado a bombril sabe que a intenção nunca é positiva.

A polêmica poderia ter sido maior, mas se já há uma tendência em abafar ou desconsiderar a reclamação das minorias, muito maior é essa tendência quando se trata do protesto de uma minoria que fica dentro de outra.

E muito se falou em histeria (minoria expressando um incômodo que incomoda = histeria), exagero e patrulha, mas curiosamente nada se perguntou a quem foi ofendida: “O que sentiu ao ver a imagem? Acredita que seja necessária a ressignificação do ‘termo’ bombril? Gostaria que isso fosse feito ou prefere a dissociação total?”


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Não, o meu CABELO não é palha de aço. Ele é minha identidade, minha referência. Repudiamos o programa Raul Gil e a Bombril pela arte do programa “Mulheres que brilham”.
A BOMBRIL tem que PARAR de comparar o cabelo das mulheres negras a lã de aço. O meu cabelo crespo É a revalorização da minha ancestralidade africana recriada no Brasil.
PELA VALORIZAÇÃO E RESPEITO AS MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS
" - Imagem e texto que circularam no Facebook. Não sabemos a autoria.



Aos que disseram que objetivo era a ressignificação, deixamos a pergunta: como isso poderia de algum modo ser benéfico? Consideramos a tentativa e a intenção uma grande falha, um retrocesso. Num país com overdose de progressivas, essa pretensa ressignificação não traz benefício algum à luta pela conquista da identidade.

A Bombril foi infeliz nessa e trocou o logo, como podem conferir no site do concurso.


Por que ressuscitar esse caso do ano passado?


Porque Ronaldo Fraga, estilista, conseguiu ir além da Bombril. Ele não fez uma “sugestão”; ele autorizou o beauty artist Marcos Costa a tacar palha de aço na cabeça de modelxs para “homenagear” o futebol (?).


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Imagem publicada pela Vogue


A coisa mais simples, que seria colocar pessoas negras na passarela, não passa pela cabeça desse pessoal.

Não gostou da “tendência”? Deixe a Vogue e Ronaldo Fraga saberem disso (@ronaldofraga e @VogueBRoficial no Twitter).


Ah, não esqueçamos a menção honrosa à Cadiveu, que também deu sua bola fora racista esse ano.


Sintetizando:

No caso da Bombril, a péssima associação dos cabelos com a palha de aço, um assunto tão delicado, é abordado sem nenhuma reflexão (pode-se imaginar que a falta de funcionárixs negrxs seja uma das causas disso).

Ronaldo Fraga nos homenageia com sua ignorância, seguindo a mesma linha da Bombril.

A Cadiveu apostou na agressiva sugestão da necessidade de alisar os cabelos, mostrando que é necessário um cuidado redobrado com a propaganda desse tipo de produto. Precisam aprender a anunciar cosméticos que alisam os cabelos sem (mais) racismo embutido.


Ronaldo Fraga, Bombril e Cadiveu: o que eles têm em comum? Certamente a necessidade de pensar mais antes de fazer.

Mulheres práticas, segundo a Volkswagen

A primeira coisa que pensamos ao ver esse link é que era brincadeira.

A Priscila Z. deixou na nossa página no Facebook essa amostra bizarra de propaganda que ao tentar ser simpática às mulheres apenas aliena e limita as possibilidades do que entendemos por mulher.


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Adotando um tom condescendente, as “dicas” são cheias de suposições.

O pé esquerdo deve ficar apoiado na embreagem. Mentira: Além de ser prejudicial ao sistema de embreagem, você pode quebrar seu salto. Aperte o pedal de embreagem somente durante as trocas de marchas. Assim sua embreagem dura mais e você economiza para satisfazer seus caprichos femininos.

Supõe-se que a mulher prática use saltos. Mas não é só isso: apesar de prática, essa mulher não conseguiu se livrar dos tradicionais caprichos femininos. (Aliás, o que seriam caprichos femininos?)

Devo verificar o óleo semanalmente. Verdade: Imagine sua pele sem hidratante. É assim que o motor fica quando está sem óleo. Uma vez por semana, verifique o nível do óleo e garanta seu motor rodando macio.

Essa relação pele-hidratante/motor sem óleo é totalmente sebosa. Não há nada a dizer. Avaliem.

Nunca devo atravessar um trecho alagado quando a água estiver acima dos faróis. Verdade: Além de estragar a “chapinha” de seu cabelo, muita água também estraga seu carro.(…)

Aparentemente essa “mulher prática” não abrange todas nós. Estão excluídas as de cabelos naturalmente lisos,cacheados e crespos.


Agora, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, eles nos presentearam (ao contrário) com essa imagem:


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A Priscila nos convida a incomodar esse pessoal que não pensa antes de fazer.

Faça sua denúncia ao CONAR, vamos vencê-los pelo cansaço: http://www.conar.org.br/

Vamos enviar e-mails à Promotoria de Justiça do Consumidor de São Paulo citando esse precedente [do Habib’s em relação à comunidade portuguesa] e requerendo a instauração de inquérito civil para apurar discriminação contra a mulher em propaganda.

O e-mail é pjconscap@mp.sp.gov.br. Sua mensagem deve conter seu nome completo e RG.

Mais uma vez a Volkswagen dando fora no Brasil.

Gillette deixa os homens irritados (até os que não usam as lâminas)

Sobre a propaganda da Gillette, “Quero ver raspar”, não resta muito a dizer. Só reiterar que não concordamos com a imposição de padrões de belezas para homens, de maneira alguma. Uma propaganda assim jamais representaria o feminismo. Não temos interesse de que a imposição se generalize cada vez mais.

Gostaríamos de ver as empresas anunciando seus produtos sem despertar a insegurança dxs consumidorxs, das pessoas. Que apelassem para a criatividade que desperta nossa atenção e não para a fraqueza humana de forma imunda.


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Ilustração de Bi Anca


Naomi Wolf disse em O Mito da Beleza (1991):

Ajudar as mulheres a desestruturar o mito é, no entanto, algo do próprio interesse dos homens em um nível mais profundo. A próxima será a vez deles. Os anunciantes recentemente perceberam que o enfraquecimento da confiança sexual funciona seja qual for o sexo do consumidor. (…)

Alguns psiquiatras estão prevendo um aumento nas estatísticas masculinas de distúrbios da alimentação. Agora que os homens estão sendo vistos como um mercado virgem a abrir as suas portas do ódio de si mesmo, começaram a surgir imagens que dizem aos homens heterossexuais as mesmas meias-verdades, sobre o que as mulheres querem e como elas vêem, tradicionalmente transmitidas às mulheres heterossexuais a respeito dos homens. Se eles caírem nessa armadilha e ficarem presos, isso não será uma vitória para as mulheres. Na realidade, ninguém sairá ganhando."


Foi interessante ver a indignação de alguns homens com a propaganda, já que muitos dos que se indignaram são os primeiros a dizer que mulheres que não se depilam são nojentas. Esperamos que dessa experiência nasça um pouco de empatia.


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Print de uma postagem escolhida aleatoriamente na página da Gillette


A página da Gillette está cheia de reclamações… seria bom se as pessoas que estão reclamando percebessem que precisamos nos unir contra esse tipo de publicidade.

Em tempo, o vídeo da propaganda deve ter custado caro e já virou referência de mau gosto.


Outras publicações sobre o caso Gillette:

Barriga tanquinho sem pelos, camisa de força pros homens?, texto da Lola.

Algumas reações dos homens na Feminista Cansada

Post do Nós Denunciamos no Facebook

Distopia, texto de Aline Valek no Facebook

Vamos ajudar a mandar algumas mulheres para espaço?

Hoje vamos convidá-la para participar de uma promoção da Axe. Sério, da Axe!

A empresa está com uma promoção que promete levar para fora do planeta um competidor de cada país participante. A ideia inicial era mandar homens para o espaço, então vai ser legar se a empresa machista tiver que mandar algumas mulheres.

A campanha foi iniciada na semana passada nesse post da Feminista Cansada, que tem informações sobre as alterações na promoção e fala também sobre essa última tola propaganda da marca.

Xs 8 primeirxs colocadxs irão para a segunda fase de provas, então vamos tentar colocar mais mulheres entre xs 8 primeirxs.

É bem fácil votar. Após clicar no botão “votar” do lado esquerdo da foto (embaixo do número de colocação e em cima do nome)*, digite seu e-mail e depois o código captcha.


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Veja abaixo a lista das concorrentes mais promissoras de cada país. Vamos votar também nas outras mulheres concorrentes, pois só assim elas terão chance de ir para a segunda fase. Quanto mais mulheres se classificarem, melhor!


Brasil
https://www2.axeapollo.com/pt_BR/65508/thailane-nascimento/

França
https://www2.axeapollo.com/fr_FR/38606/aline-decadi/

Espanha
https://www2.axeapollo.com/es_ES/62265/monica-usart-rodriguez

Argentina
https://www2.axeapollo.com/es_AR/120907/mechi-alvarez

Bolívia
https://www2.axeapollo.com/es_BO/11955/helga-carla-villarroel-contreras

Canada
https://www2.axeapollo.com/en_CA/574/arielle-lavoie

Chile
https://www2.axeapollo.com/es_CL/109248/claudia-isabel-carrizo-huichalaf

Holanda
https://www2.axeapollo.com/de_DE/116130/nadin-melnikow

Índia
https://www2.axeapollo.com/en_IN/4852/reshma-krishnan-rajan-arunasalam

Dinamarca
https://www2.axeapollo.com/da_DK/74952/birgitte-palle/

Finlândia
https://www2.axeapollo.com/fi_FI/23911/taina-camilla/

República Tcheca
https://www2.axeapollo.com/cs_CZ/107078/katerina-babkova/

Hungria
https://www2.axeapollo.com/hr_HR/114629/natalija-bozic/

Uruguai
https://www2.axeapollo.com/es_UY/48512/mayra-curbelo/

Alemanha
https://www2.axeapollo.com/de_DE/116130/nadin-melnikow/

Paraguai
https://www2.axeapollo.com/es_PY/6235/stefania-yuliana-viterbori-ugarte/


*Essa dica é válida quando você vai votar na norueguesa: tem que clicar em stem, por exemplo. :)

Não precisamos de Cadiveu (nem de Dom Bianco)

Essa semana no Facebook, a marca de produtos cosméticos Cadiveu promoveu sua campanha “Eu preciso de Cadiveu”.

Não seria nada de mais se a campanha tivesse moldes diferentes disso:




Modelo branca usando peruca black power e segurando o cartaz com os dizeres “Eu preciso de Cadiveu”. Sério isso? Faltou pouco para o black face.


A denúncia partiu da página Meninas Black Power, que faz um trabalho super legal sobre identidade e valorização, tudo o que a gente acredita por aqui, voltado principalmente à mulher negra.

Obviamente a campanha é ofensiva, ainda mais se analisarmos cuidadosamente o cenário, esse em que precisamos de páginas, blogs e sites que nos lembrem de acreditarmos em nós mesm@s e nos amarmos como somos.

A polêmica é grande e se estendeu para outra empresa, Dom Bianco, que havia copiado a mesma “brincadeira” promovida pela Cadiveu. Você pode conferir a primeira mensagem de repúdio no Facebook ou transcrita aqui, organizada pela página Feminews com o apoio de muitos coletivos, páginas e blogs.

A empresa vem tentando se desculpar após a repercussão, como podem conferir na página da Cadiveu. Porém, o pedido de desculpas não veio a tempo de evitar que fossem criados a página Não preciso de Cadiveu e o tumblr de mesmo nome, onde se pode obter informações atualizadas sobre o caso.






Acreditamos que tudo merece uma análise. Não somos contra quem alisa os cabelos! Entendemos o que é o preconceito, ou o desconforto que pode ser manter o cabelo ao natural, ou simplesmente gostar mais. Porém, acreditamos também que devemos questionar o porquê do preconceito, o porquê do desconforto e o porquê do gostar mais.


Quanto ao produto, certamente pode ser vendido sem transformar o cabelo crespo em inimigo, em vergonha, em algo que precisa ser dizimado (e rápido). É um produto que se vende mesmo sem se anunciar e lucra milhões em cima da vulnerabilidade provocada pela falta de identificação de algumas mulheres com o mundo imposto como ideal.


Insinuar que uma mulher de cabelos crespos PRECISA de produtos para alisá-lo é racismo, gostem ou não.


Esse episódio nos fez lembrar de outro, ocorrido no ano passado e protagonizado pela Bombril. No próximo post.

Se pudermos ver, poderemos ser (seejane.org)

See Jane é um programa do Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia (Geena Davis Institute on Gender in Media), que faz um trabalho incrível e merece um post mais detalhado posteriormente.

De acordo com instituto, apenas 17% das personagens na mídia feita para crianças são mulheres. E é claro que isso é um problema.

As meninas precisam de mais inspirações. Enquanto os homens são representados como aventureiros, detetives, heróis ou qualquer outra coisa, ou seja, enquanto os meninos percebem os múltiplos papéis que podem representar no mundo, a menina não enxerga grandes possibilidades se considerarmos o conceito de “mulher” que normalmente é apresentado à ela.

Um dos objetivos do See Jane é encorajar os criadores de entretenimento a participarem de uma mudança positiva nesse cenário. A necessidade de equilíbrio de gênero e representações variadas de mulheres em filmes, televisão e outros meios de comunicação destinados a crianças até 11 anos de idade é reconhecida e comprovada pelo instituto.


Veja o vídeo do programa:




Transcrição e tradução livre do vídeo:

“Conheça a Jane.
Veja a Jane.
Você a vê?
Ela é metade da população mundial.
Mas você não poderia saber disso assistindo a programação infantil.
Na tela, Jane é sub-representada na proporção de 3:1.
Quando ela está lá, na maioria das vezes, é apenas um colírio para os olhos. E garotas em todo lugar assistirão em média 7 horas por dia.
Se elas veêm Jane, é com pouco a dizer, poucas oportunidades de carreira e até com poucas aspirações.
Mas nós podemos mudar isso.
Conheça a Jane!
Vê a Jane?
Ela é metade da população mundial, tem coisas importantes a dizer e pode ser o que ela quiser ser. Mas para empoderar as garotas, nós precisamos ver a Jane.

seejane.org - se Ela pode ver, Ela pode ser.”


As imagens falam por si. A representações gráficas de mulheres são sempre estereotipadas e presas a um ideal feminino que oprime outras manifestações de personalidade.

Quando Jane, que são todas as meninas, metade da população infantil do mundo, vê que pode ser o que quiser, ela realmente pode ser o que quiser!

Mas nós também podemos fazer algo pelas meninas à nossa volta. Procurar conhecer personagens femininas fortes e apresentar à elas é uma boa forma de tentar ajudá-las a driblar essa imposição disfarçada(?).

No caso de uma criança que esteja diretamente sob sua responsabilidade, assista televisão com ela (caso exista esse hábito) e converse, exponha da forma achar mais adequada as limitações das representações pobres de imaginação e liberdade.

Vamos ajudá-las a enxegar um mundo além desse pequenino, já que o mundo todo faz o trabalho inverso.

Deixe nos comentários sua sugestão de personagem feminina digna de nota, inspiradora!


O vídeo foi enviado para nós por Juarez Q. Obrigada!

Mídia e Publicidade - Fabricamos sua identidade



"Quando nasci era um ser único, excepcional. Estava cheia de criatividade e cheia de possibilidades. Mas desde que conheci a Mídia e a Publicidade só quero ser modelo e dançar na televisão.

Consultoria Educacional Mídia e Publicidade - Fabricamos sua identidade”



Essa é uma criação crítica do El Squatt sobre como a propaganda pode direcionar os desejos das crianças podando outras inclinações.

É claro que uma garota pode querer ser modelo e dançar na televisão, mas talvez seja um problema quando todas as garotas passam a sentir esse mesmo desejo. Isso pode significar que essa mensagem está sendo exageradamente difundida, ao ponto de outras inclinações profissionais não exercerem atração alguma.


Separamos alguns textos já publicados sobre a questão de gênero:

Brinquedos são para crianças (parte 1)

Brinquedos são para crianças (parte 2)

Lego e a fixação por “papéis de gênero”

Brinquedos de [gênero]

Tiranossauro Unissex

Projeto Rosa e Azul

Reproduzindo o gênero binário ativo/passivo

Construindo o que conhecemos como “homens” e “mulheres” (parte1)

Construindo o que conhecemos como “homens” e “mulheres” (parte 2)

E o sexismo atinge… os chocolates

Vende-se camisetas ou sexismo?

Mulher Maravilha e a (Liga da) Justiça

E se… todos os Vingadores posassem como as personagens femininas?

Fantasias de Halloween para mulheres

E um bônus de esperança:

Super heróis também são para garotas!


É muito importante fazermos essas reflexões sobre as imposições de gênero. Esse pode ser um dos caminhos para nos sentirmos LIVRES.

Proyecto Squatters - Subvertendo a publicidade

Nas imagens abaixo é aplicada a técnica de subversão contra-publicitária “Cartalito Justiciero”, segundo o Proyecto Squatters, responsável pelo trabalho.

Esse é um projeto argentino, criado sem fins lucrativos e com o objetivo e conscientizar sobre as propagandas, lançando um olhar crítico sobre elas.




Venha a Dot, venha surpreender-se… com todo o lixo materialista que não precisa, mas que fazemos você sentir ser imprescindível porque precisamos que continue consumindo sem pensar nas consequências. Consuma até morrer.


Fizemos uma tradução livre da descrição do projeto (e das intervenções):

“Esta técnica de subversão contra-publicitaria permite que você altere os anúncios publicitários e os transforme em veículos culturais para promover valores socialmente construtivos, denunciar os exageros das empresas ou para contribuir com uma mudança positiva na sociedade ao expor o que os anúncios ocultam

A técnica é simples: pegue um pedacinho de papel e use sua maravilhosa criatividade para imaginar uma frase que modifique e subverta as mensagens dos anúncios de acordo com seus valores e forma de ver o mundo. Tire uma foto e exponha sua criação contra-publicitária.

É fácil, divertido… e terapêutico! Experimente em casa!”





Como quer que eu te queira… se não se veste como quero que se vista, se não se identifica com os modelos que te mostro, se não consome como quero que consuma?





A constante reprodução de estereótipos publicitários, como eu, faz com que as mulheres não possam imaginar-se com parâmetros, medidas e valores diferentes… isto faz com que terminem odiando seus corpos e não desfrutem de sua própria sensualidade e sexualidade.


Que tal tentarmos também?

O trabalho do Proyecto Squatters é bem completo e abrange muitos tipos de propaganda. Conheça!

E depois de tudo, as Lojas Marisa querem saber: renda ou tule?

Depois do episódio da dieta infeliz da Marisa, a loja pediu que criassem uma peça no mínimo curiosa. No vídeo abaixo, que vocês estão convidados a apertar “não gostei”, a modelo faz um discursinho bobo, com algumas falas questionáveis.





A modelo diz que é ótimo que discordemos do discursinho já que eles adoram debater e conversar e completa dizendo que a empresa nos esperava para “uma conversa sincera mesmo, de mulher para mulher” em sua página. Ótimo, né? Sinceridade é com a gente!

Pois bem, lendo assim até poderia ser legal. O problema é que conversinha, debate ou discussão oferecidos foi bem diferente do esperado.

Os posts, todos temáticos, sugeriam os seguintes debates: “qual elogio você gosta de receber?” ou “para valorizar o look, o que vale?”, ou ainda, “para compor seu estilo, você aposta mais nas tendências do momento ou prefere o clássico?”. E a melhor de todas, a mais relevante: “renda ou tule?”.

Obviamente com essa iniciativa, noticiada pelo site Jezebel, milhares de comentários seriam deixados na página e é claro que muitos seriam questionadores, vide o histórico de confrontações com a empresa.

Assitimos o desenrolar do debate e participamos com nossos próprios logins. Vimos a suposta criação de um fake pela agência contratada para mediar essa “conversa”, noticiada pelo Blue Bus, e fizemos perguntas que foram ignoradas. Percebemos também que as interações da empresa na conversa limitavam-se aos usuários que deixavam comentários bondosos ou que tinham opinião forte sobre “renda ou tule”.




Print que mostra que as pessoas que curtiam o que o fake escrevia coincidentemente eram funcionários da AlmapBBDO, empresa responsável pela criação desses lixos comerciais.


Até que notamos que havíamos recebido um convite para participar dessa conversa. O convite vinha assinado por uma funcionária da empresa e era bem simpático:

"Estamos entrando em contato após ter lido o seu texto a respeito do nosso último comercial de TV. Podemos falar de mulher pra mulher?

Conhecemos o blog de vocês e percebemos, através do seu post, que precisávamos abrir um espaço para discutir e ouvir diferentes opiniões.

Por isso, Marisa vai promover uma conversa no facebook, onde as consumidoras da marca poderão falar de assuntos que realmente interessam às mulheres. Essa troca de ideias e opiniões acontecerá nos dias 7, 8 e 9/11.

A gente gostaria muito se vocês também participassem desse papo. A sua visão sobre a moda, sobre a preocupação das mulheres com corpo e machismo enriquecerá bastante essa conversa.”



Respondemos perguntando se a conversa era aquilo mesmo e recebemos outro email, mas dessa vez impessoal, assinado pela “Equipe Marisa”:

"Vimos sua mensagem no mural da nossa fan page e também em um dos comentários.

Criamos o espaço “Conversa” com o objetivo de ouvir as diferentes opiniões de nossas consumidoras e seguidoras sobre o universo feminino. Por isso, estendemos o convite para que você também pudesse participar conosco e, assim, expressar seu ponto de vista.

Estamos lendo todos os comentários e mediando de acordo com as regras da rede. As manifestações geradas nos últimos 3 dias têm sido um grande aprendizado para a gente, já que respeitamos os diferentes pontos de vista ali presentes.”





Essa imagem criada pela Jarid A. e Thais C. na ocasião do primeiro comercial mostra que apesar de tudo ainda conservamos o bom humor.


Nós estávamos ali! Esse e-mail foi enviado no último dia da “conversa” e não parecia haver alguma contribuição que pudéssemos dar como “página” que já não tivesse sido dada por centenas de usuári@s. Esse convite que recebemos sugeria uma conversa sobre corpo, machismo, mas nada disso aconteceu.

Respondemos e reiteramos nosso pedido por uma retratação decente, comerciais mais inclusivos e roupas com numerações maiores.

Soubemos que a empresa convidou uma usuária do debate, a Fatima T., a participar de uma reunião devido aos muitos (ótimos) questionamentos que ela deixou na página, lembrando inclusive do trabalho escravo que a empresa é acusada de se utilizar. Aguardamos.


Por “conversa”, interpretamos que haveria um “debate”, mesmo que limitado. O que eles fizeram foi usar as postagens como caixa de sugestões e reclamações, o que já havíamos feito anteriormente em diversos outros posts. Achamos que eles poderiam ter começado suas pesquisas de “aprendizado” por lá ao invés de montarem esse circo ridículo.

Vocês podem conferir o ocorrido na página da Marisa no Facebook.

Aguardamos o posicionamento da empresa e gostaríamos de saber quando será dado um feedback disso que parece ter sido um fiasco.

Sobre o protesto do Femen numa loja Marisa em Belo Horizonte, publicamos uma nota rápida sobre nosso posicionamento.

Vendendo flores com sexismo

Em alguns casos, além do produto, a propaganda vende uma ideia de como os relacionamentos “normais” devem ser.

Esse anúncio sugere que a chateação de uma mulher poderia ser resolvida com flores. Esse tipo de ideia desencoraja outra: que exista um real motivo para essa chateação.




Exatamente quão brava ela está?


As mulheres têm sido consideradas criaturas irracionais (foi uma das justificativas para negar-lhes o voto - que não tinham razão suficiente para fazer boas escolhas no governo), assim como as crianças. A chateação de uma criança é facilmente rotulada de imaturidade, como se não tivesse razão de ser, não precisasse ser discutida e nem fosse causada por qualquer atitude.

Este anúncio encoraja a tratar as mulheres da mesma maneira, como se tivessem acabado de ter seus sentimentos feridos e um pouco de consideração melhorasse tudo.

Isso prejudica o status das mulheres em uma variedade de contextos, comunicando que as queixas das mulheres não precisam ser levadas a sério. Este tipo de atitude torna as mulheres menos capazes de estruturar seus ambientes sociais para atender suas necessidades.

Além disso, essa ideia sugere que não importa os interesses de uma mulher, ela vai abandonar essas posições e princípios se você gastar bastante dinheiro. Isso coloca a mulheres como corruptíveis - outra construção para justificar a falta de mulheres em posições de autoridade. Afinal de contas, você gostaria de alguém que é irracional, materialista e corruptível dirigisse a sua empresa? Ou seu governo?


Traduzido e adaptado deste post do The Society Pages