Intervenção fotografada pela Dani C. e Amanda A. no carnaval da Lapa, no Rio de Janeiro.

Mais uma reação contra o machismo nas ruas do Rio de Janeiro. As mensagens têm que tomar as ruas, de todas as formas. Toda expressão é válida e importante para sacudirmos o “senso comum”.
Mais uma vez: Beijar à força não é paquera, é violência.
À tod@s, em especial às mulheres negras ou de cabelos crespos/ cacheados, recomendamos a leitura do texto “Alisando nossos cabelos”, de bell hooks, uma ativista feminista que escreve sobre aspectos políticos, raciais e de gênero.
No texto ela chama a atenção ao fato que de que muitas mulheres negras sentem-se incomodadas ao receber muita atenção em seus cabelos e que “sentiam como se o seu cabelo estivesse desordenado, fora de controle”. Muito compreensível, já que quem tem cabelos crespos costuma receber assessoria capilar até de desconhecidos, que normalmente sugerem o alisamento. (Se você é dess@s, pare com isso e cuide do SEU cabelo!)

Não alise seu cabelo. Seus cachos são lindos!
bell hooks afirma que o alisamento é reflexo da opressão racial e que “dói perceber a relação entre a opressão racista e os argumentos que usamos para convencer a nós mesmas e aos outros de que não somos belos ou aceitáveis como somos”. Realmente dói.
Por isso, usar o cabelo natural, ou sem química, é um símbolo de resistência contra a opressão. Mais do que feio, o cabelo d@ negr@ é “assustador”. É indomável, uma afirmação da identidade, e por isso, uma afronta.
Sobre alisar seus cabelos, o que ela já fez um dia, bell hooks não se sente confortável:
“Fazer esse gesto como uma expressão de liberdade e opção individual me faria cúmplice de uma política de dominação que nos fere. É fácil renunciar a essa liberdade. É mais importante que as mulheres façam resistência ao racismo e ao sexismo que se dissemina pelos meios de comunicação, e tratarem para que todo aspecto da nossa autorepresentação seja uma feroz resistência, uma celebração radical de nossa condição e nosso respeito por nós mesmas.”
O texto é incrível. Vale a pena ler!
Avante, mulheres negras! Vamos amar nossos cabelos!
Intervenção na Vila Hamburguesa, São Paulo, ao lado do cabeleireiro Jacques Janine. Enviada por @souminha. (Obrigada!)

Je suis la femme de ma vie!!!
Eu sou a mulher da minha vida!!!
Muitas vezes distorcida até tornar-se outra coisa, essa frase resume uma de nossas buscas: sentir-se completx.
Ser mulher da própria vida é ser plena, suficiente para si. Alguém que, por esses motivos e outros, pode contribuir mais nas mudanças positivas ao seu redor.
Ser a mulher da própria vida é ser a pessoa por quem vale a pena lutar todos os dias.
Imagem do Tumblr TipTea
Nossa mensagem tem que ir além do Facebook: precisamos lembrar as pessoas nas ruas que a violência contra a mulher existe e que devemos lutar pelo seu fim.
Esse caso absurdo de estupro, que tem os os integrantes da Banda New Hit como acusados, está longe de ser único. Diariamente mulheres são estupradas no Brasil e não denunciam, seja por medo ou por vergonha de serem desacreditadas.
Reproduzimos aqui a carta de apoio às vítimas publicada na página Repúdio ao New Hit: acusados de estupro, que serve não apenas às vítimas deste caso, mas à todas:
“Por meio desta carta, queremos demonstrar toda a nossa solidariedade às duas vítimas que acusam os integrantes da banda New Hit de estupro. Estupro é um crime hediondo que não pode ficar impune. Portanto, declaramos aqui nosso apoio e nosso desejo de que vocês tenham muita força nessa luta. Até agora, vocês já mostraram ter muita coragem pelo simples fato de fazer o que é certo: denunciar! Por isso, estamos do seu lado. São milhares de pessoas que apoiam vocês.
Portanto, não se sintam sozinhas. Nós, mulheres e homens da sociedade civil e grupos pelos direitos das mulheres estamos de olho no caso e vamos acompanhar para que seja feita justiça.
Sabemos que, pela coragem que tiveram, o momento atual tem sido muito difícil não só para vocês, mas também para seus familiares e amigos. Mas não se arrependam de cobrar justiça, por mais que o medo, a insegurança e o preconceito batam à porta. A culpa do estupro não é de vocês. Jamais acreditem nisso, jamais aceitem que alguém diga isso para vocês. A culpa do estupro SEMPRE é do estuprador.
Saibam que vocês já são admiradas por muitas mulheres que acreditam na mudança da sociedade e que vocês servirão de exemplo e força para aquelas que sofrem todos os dias com violência semelhante, mas se calam por motivos como vergonha e medo.
São atitudes como a de vocês que são capazes de expor e ajudar a acabar com a cultura do estupro que existe em nossa sociedade, pela qual homens acreditam ter o direito de violentar mulheres pelo simples fato de serem mulheres. Unidas podemos acabar com isso e mostrar que merecemos respeito independentemente do lugar onde estamos ou da roupa que vestimos.
Novamente desejamos toda a força e saibam que vcs não estão sozinhas nessa luta!
Fernanda Romão, Renata Gama e Duna Rodríguez
Em nome da página Repúdio ao New Hit: acusados de estupro”
Uma vitória: Secretária de Políticas para Mulheres se posiciona no caso New Hit
“A secretária Lucia Barbosa entrou em contato com o secretário estadual de Segurança Pública e pediu a intervenção para que o procedimento seja acelerado. “O caso serve como reflexão sobre a necessidade do respeito à figura feminina na sociedade. A responsabilização dos possíveis culpados servirá de exemplo, ajudando a acabar com a sensação de impunidade que ainda possa existir nas pessoas que cometem violência”, disse, destacando o esforço da SSP em esclarecer os fatos.”
E a luta continua, diariamente! Pelo fim da violência contra a mulher!
Em caso de violência ligue 180 para denunciar ou entre em contato com o Tecle Mulher pela internet. Sabemos que não é fácil denunciar, mas é necessário se quisermos começar a mudar nossa realidade.
O grupo FEMICA, as Feministas do Cariri, mais uma vez promoveu uma ótima ação no Ceará.
O grupo reuniu-se na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, para um protesto anti estupro no dia 18 de agosto de 2012.

Expondo cartazes e entregando panfletos, o intuito da ação era contribuir na educação da população, conscientizando principalmente os homens (não é preconceito: a grande maioria das pessoas que estupram são homens).

Não faltou um lembrete ao órgão que, formado por publicitários, devia saber que propagandas influenciam. O que muitos julgam “bobo” e “inofensivo” parece ser a raiz da violência resultante do machismo.

Essa é uma ação bonita e simples, que você pode reproduzir em sua cidade. Inspire-se!

Veja mais fotos no álbum da ação no Facebook.
Edição de imagens: Rômulo Aragão (aragaoromulo@gmail.com)
Feministas do Cariri no Facebook
Um dos resultados da luta das mulheres é a libertação. Não só para as mulheres, mas para tod@s.
Uma chance de escapar dos estereótipos impostos e incômodos. Poder ser e agir como se quer, sem que haja algo que esperem de nós por “pertencermos” a determinado gênero.

O machismo também afeta os homens. Eles não podem chorar e também não podem não gostar de brigar. Não podem recusar uma garota que não desejam por temer ouvir o que outr@s dirão e nunca, jamais, podem preferir dança a esportes. Não podem não saber tomar a iniciativa e são levados a pensar que com dinheiro/carro/corpo farão a diferença com relação a todas mulheres, já que “todas procuram um provedor”.

Deve ser duro acharem que têm que atender a todas essas expectativas. Empatizamos com isso. E é por isso que nossa luta liberta a tod@s: nós não esperamos nada disso dos homens. O que queremos é respeito e bom senso, e de todas as pessoas.
A existência de pessoas aproveitadoras, atrás de status ou bens materiais, não pode ser atribuída a um dos gêneros quando é claramente uma falha humana. E se você conhecer alguém que se diz feminista mas acha que o homem tem a obrigação de bancá-la ou pagar contas, você está sendo enganad@. Essa pessoa não é feminista.
Intervenção feita na Al Santos, São Paulo, no mês de julho.
Mais intervenções, desta vez na cidade de Santos, em São Paulo. Uma mudança na paisagem que lembra a tod@s que estamos aqui, e que não vamos nos calar.
Se você já deixou sua mensagem por aí e a fotografou, envie para nós.
Veja mais lindas fotos produzidas pelo Tumblr Artemporal.
Pedimos a eles que enviassem uma descrição de seu projeto:
“Artemporal é um projeto de intervenções artísticas e de street art com a intenção de dar visibilidade às causas pouco discutidas pela sociedade e/ou debatidas com um ponto de vista retrógrado. O formato do projeto não é fixo, não aborda apenas um tema e não habita apenas uma cidade.
‘arte atemporal,
atemporal arte,
a tempo de arte,
há tempo de arte,
o tempo de arte
é tempo de arte.’”
Artemporal.
Conheçam!
Nesse momento de muita ação contra o que nos incomoda, incentivamos: não se cale! Aproveite o momento de união de vozes e faça coro. Diga o que te incomoda, não esconda sua indignação. Na internet ou nas ruas, o importante é que não se cale.


Intervenção feita próxima ao Metrô Ana Rosa (São Paulo/SP) no dia 29 de julho de 2012. Enviada por M. F. e inspirada no tumblr Mulher, Não se Cale. Conheça e contribua!
