Repercutindo o trote racista na UFMG

Ontem foi publicada essa matéria no Estadão: Alunos acusados de trote racista podem ser expulsos. Existe um prazo de 30 dias para darem um parecer sobre o caso. Não necessariamente os alunos serão explusos; existe a possibilidade de que sejam apenas advertidos ou suspensos. Vamos acompanhar o desenrolar dessa situação.


Hoje circulam algumas justificativas dadas por esses estudantes na reunião que aconteceu ontem na UFMG.

Com o objetivo de discutir o caso de racismo, foi convocada a assembleia, que gerou as seguintes declarações que reproduzimos abaixo, conforme o link no Facebook:

Cenário: assembleia de estudantes na Faculdade de Direito da UFMG.
Assunto: trote racista e nazista.
Situação 1:
- Estudante de Direito pede a fala e solta a pérola: “Gente, se teve gente que ficou indignado ao olhar as fotos do trote, fazer o quê? Eu fiquei indignado por que o Cortinthians ganhou a Libertadores no ano passado.”

Situação 2:
- Estudante de Direito é abordado pela imprensa e tenta defender a si mesmo e aos colegas: “Eu não sou racista, nós não somos racistas. Eu, por exemplo, tenho vários amigos negros. E o símbolo de nossa Atlética é um macaco.”


Sem palavras…


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Imagem da Anel (Assembleia Nacional de Estudantes - Livre)


Outra denúncia é referente às músicas misóginas da charanga da faculdade de Direito da UFMG, compostas para eventos e jogos acadêmicos e que são tocadas todos os anos, aparentemente com a conivência da direção.

Leia uma das letras (e veja mais nesse post do Gudds (Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual):

“Moreninha vagabunda
Não estudou, só deu a bunda
Foi pra FUMEC
Êeeêeee
Só sabe fuder

Loirinha muito rica
Só sabia chupar pica
Foi pra FUMEC
Êeeêeee
Só sabe fuder

O gorda submissa
Foi pra PUC rezar missa
Lambe minha glande
Êeeêeee
Vai emagrecer

Sua mensalidade
Eu tomo de cerveja
Pinga e cachaça
Êeeêeee
Paga preu beber”


Amanhã, 21 de março, é o Dia Internacional do Combate a Racismo, mas não espere até amanhã para fazer sua parte nessa luta! Expor o racismo é uma das coisas que podemos fazer. É mais fácil lutar contra um inimigo visível.


Nosso post sobre o caso: Trote racista na UFMG ou “O que acontece na cabeça dessas pessoas?”

Nossos posts sobre racismo: http://machismochatodecadadia.tumblr.com/tagged/racismo

Trote racista na UFMG ou “O que acontece na cabeça dessas pessoas?”

Circulou hoje no Facebook algumas fotos de um trote realizado na UFMG.

As imagens são puro mau gosto: na primeira, uma caloura está pintada de negra, com os dizeres “caloura Chica da Silva”. Na segunda, garotos irreflexivos (ou simplesmente idiotas) estendem a mão no conhecido gesto nazista.


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Se já é ofensivo o “black face” (pintar-se de negrx), essa menção à Chica da Silva extrapola qualquer limite. Qual é a graça na história da escrava alforriada pelo concubinato, a única forma de uma negra ingressar na sociedade branca (livre) da época?

Sério, o que se passa na cabeça dessas pessoas? São esses os melhores alunos, os mais bem classificados pelo vestibular! Pessoas formadas nas técnicas, que sabem as respostas certas, contanto que sejam apresentadas em forma de múltiplas respostas. Não necessariamente cidadãos.


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O que nos leva também a questionar se real importância é dada para esses assuntos nas salas de aulas. Parece que não está havendo instrução suficiente para gerar a mínima consciência de que não se faz piada com a escravidão ou nazismo, por exemplo.

É uma vergonha que esses sejam os profissionais de amanhã formados pelas valorizadas faculdades públicas. Que as desejadas vagas sejam de pessoas mal formadas naquilo que mais importa: a capacidade de raciocinar de verdade.


Leia mais sobre o assunto nesse post do Blogueiras Negras. Nos comentários há uma nota da Diretoria de Relações Públicas do Centro Acadêmico Afonso Pena (CAAP) da UFMG.


Nota - Não estamos falando de todxs xs alunxs da UFMG, apenas dxs envolvidxs.

Trotes criminosos na Poli (e a violência no trote da USP São Carlos)

Recebemos de uma aluna essa séria denúncia sobre trotes realizado na Poli, a faculdade de Engenharia da USP.

“Todo ano eles organizam uma competição chamada IntegraPoli (definição aqui: http://cam.poli.usp.br/integrapoli/), uma espécie de gincana para integrar bixos e veteranos. A lista de objetivos é sempre terrível, mas nesse ano tem alguns itens MUITO perturbadores.


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Alguns exemplos:

27. Vídeo: pegadinha inspirada em “Dick In a Box” (2 pontos). Ponto extra para o melhor vídeo. Link: http://www.youtube.com/watch?v=T7H9xEesilU

30. Video: Cumshot Surprise (3 pontos). Dois pontos extras para o melhor video. Vídeo inspiração: (suprimido o link para o vídeo de um cara que toca a campainha de uma mulher e ejacula na cara dela, de surpresa).

39. Construir uma metralhadora de elástico a ser testada em uma bixete de biquíni ao vivo.

Veja o documento completo aqui: http://pt.scribd.com/doc/128147520/Lista-IntegraPoli-2013

Sem contar incitação a outros crimes, como invadir o sistema digital de graduação da USP (JupiterWeb - item 54). Comportamento criminoso dos alunos que elaboraram essa “cartilha”.


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Clique na imagem para acessar o documento com esses dados


Na semana passada, alunos da USP em São Carlos atacaram a manifestação feminista contra o concurso Miss Bixete 2013. Jogaram bombinhas, mostraram os genitais, simularam sexo com bonecas infláveis, além de assediar as manifestantes. Mais um abuso sem consequências que acontece dentro do espaço da faculdade. (Veja um vídeo do ato)

Aparentemente não há a mínima fiscalização do que acontece nos espaços públicos das universidades (ou é ruim demais).


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Imagem do ato contra Miss Bixete- USP São Carlos


Já passou da hora de fiscalizar de verdade o que acontece nos trotes pelas universidades do país. Se não for possível a fiscalização, que seja feita a proibição. Entendemos o “trote”, o símbolo do “rito de passagem”, “cerimônia de aceitação”, mas se não se consegue fazê-lo sem violência, era melhor que deixasse de ser feito.

Se você acha que o trote não deve acabar, cobre da sua faculdade ou universidade um plano para os trotes do próximo ano letivo, sugestões de coisas inofensivas e divertidas. Faça sua parte para evitar que coisas como essas continuem acontecendo.


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Será que dá para ser mais bacaca? Pior que dá. Veja as fotos clicando na imagem


E a todxs nós: que tal mandarmos um e-mail para a ouvidoria da Poli da USP cobrando providências quanto às incitações desse manual? Pode enviar para ouvidoria@poli.usp.br ou preenchendo esse formulário. Aproveite e mande também para a USP São Carlos: ouvidor@sc.usp.br ou preencha o formulário.